sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A minha carreira

Muitos ter-se-ão perguntado porque não escreve a julinha nos últimos dias? Sim, que ela deverá andar feliz com os recentes resultados eleitorais.
Pois bem, é que ando mesmo. Mas mais do que feliz, que a minha vida, desde que fui àquelas arruadas e comícios, desde que conheci tantas pessoas interessantes, e desde que tirei aquele rvcc, que a minha vida mudou. Até muitas amigas me dizem: óh julinha que estás um brilho diferente! E, outro dia, um senhor bonitão da comissão política do PS até me disse assim: "ah, julinha, que vossemecê é uma rapariga cheia de savuáre fere" (que é um galanteio em françês - este computador não percebe nada de português que me dá este françês com erro).
Então que aconteceu, perguntam-me vocês?
O que aconteceu é que as pessoas certas repararam em mim. Na verdade até agora só o meu rochinha tinha reparado verdadeiramente em mim (e mais uns quantos, mas esses apenas pelo meu lindo corpinho que eu não tenho culpa de o ter assim). Mas desde esta campanha, e desde que fiquei famosa a escrever aqui no blogue, que mais gente repara em mim. São pessoas inteligentes, espertas e que estão no lugar certo; pessoas que querem mandar este país para a frente, para a modernidade. E então essas pessoas repararam em todas as minhas potencialidades e já me disseram: "Julinha, é um desperdício andares lá no snack-bar a estragares as mãos a lavar pratos e correndo o risco de te cortares na máquina do fiambre!". Além disso, digo eu, aquilo não dá nada de jeito em termos de dinheiro e tenho que aturar professores armados em esquerdistas. E vai daí, como já tinha dito antes, perguntaram-me a s habitações. Bem sei que nã ão muitas, ainda agora fiz o 12º em rvcc. Mas já são algumas. O suficiente para poder integrar, juntamente com outras pessoas das universidades, equipas de trabalho para desenvolverem estudos para orientarem o governo naquilo que ele quer saber. E até não serei mal paga. Quem sabe um dia até posso ir, já me disse um camarada cá do partido, para a Direcção Regional de Educação, como representante dos pais (na próxima semana até vou jantar com o Albino Almeida para ver o que é que se arranja). E até tenho um sonho, que um amigo cá da comissão política me segredou ao ouvido (ai, e segredou tão malandramente): é que u dia também eu posso chegar a deputada "o parlamento precisa de pessoas bonitas e inteligentes como tu, Julinha". Por isso ontem, ao ver o primeiro dia daqueles deputados todos no parlamento, já me imaginei a mim, lá, a tirar fotografias e a dar entrevistas para a televisão. Ahhh, como suspiro de esperança. O que eu não posso fazer pelo país!
E ainda por cima deverei ir tirar um curso universitário, sabiam? É que tenho informações que o rvcc, que foi um sucesso no secundário, poderá passar para o universitário. Aliás, o nosso José Sócrates já tirou o curso dele num sistema muito parecido!
Beijinhos da vossa Julinha

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Reparem como me mantive calado durante toda a campanha. Pois é, há muito tempo que desisti de participar nesta simulacro de democracia (entendendo como democracia a sua origem etimológica de "poder do povo"). Não acredito em eleições. Vejam no que dá, cá como no mundo civilizado ocidental. As pessoas não votam em projectos políticos, sequer votam em pessoas entendidas na sua essência. Votam em imagens que têm. O efeito do voto resulta mais da publicidade (sim, publicidade e não propaganda) do que de qualquer outra coisa. Quando vi, cá no snackbar da Julinha (aquele que fica debaixo do telhado que um dia foi do Gato Esteves, já se esquecem de dizer) o "correio da manhã" e a votação em Sócrates como o mais sexy, percebia-se logo quem ganhava as eleições. O único concorrente de Sócrates era o Sócrates versão PPD, o tal Pedro Passos Coelho, que lhe é igual em arrogância e política (porventura poderá privatizar a CGD e fazer outras coisas igual a Sócrates com menos oposição interna). E notem que os que votam porque sabem umas coisinhas de política e afins não fazem melhor: o próprio Évora reconheceu aqui que não votava em projectos, mas sim contra Sócrates. Ou se vota porque se o ama, por uma espécie de clubismo ou fantasia (caso Julinha) ou contra porque se o odeia. Nada disto tem a ver com os princípios de uma democracia (liberal, que palavra feia). E, na verdade, as eleições pouco mais serão do que a escolha dos que terão os seus empregos, os seus destacamentos, como a querida Julinha aqui referiu sem querer.
Querem continuar a viver democraticamente? Podem-se armar em doutores democratas, mas o povo não sabe o que quer. É manobrado, ludibriado, como em qualquer hipermercado. O meu amigo Évora devia sabê-lo desde que estudou a Revolução Francesa.
E pelo dito não resisto a atribuir o prémio frase mais inteligente a Luís Filipe Menezes, que ouvi há minutos, mais de 24 horas passadas sobre os resultados eleitorais. Tratar-se-á, pois, de uma convicção do senhor. A estupidificante frase foi "O povo português é muito sábio". Sem mais.

O dia depois

Acordei cansada! Depois do dia de ontem que foi cantar, esbracejar, abanar a bandeirinha, abraçar os camaradas (vejam como já uso esta palavra) hoje acordei estourada e rouca. Até porque mal consegui dormir copm aquela excitação. Mas não quis deixar de vos escrever aqui, minha amiguinhas.
Aqui no snack-bar, e há medida que se aproxima a ora de almoço, vejo chegar os professores. Veêm muito mal encarados. Até dá pena! Sim, não pensem que não tenho sentimentos! Andam cabisbaixos e deprimidos! É para verem o que é sofrer, que eles lá na escola também fazem sofrer os miúdos com regras para aqui e regras para ali e trabalhos de casa (espero que acabem nesta legislatura) e o diabo a quatro!
Mas queria-vos dizer uma coisa muito importante e que sei vos deixará felizes: nesta campanha conheci muita gente importante. Gente que ontem festejou porque também estava preocupada com a própria pele. É que se ganhasse o partido da outra senhora sabe-se lá o que lhes aconteceria aos empregos. O mais certo era terem de voltar para os antigos. E isto depois de 4 anos de esforços e trabalheira, quantas vezes com o sacrifício da família. Por isso ontem sentiram-se aliviados e gritaram de alegria. Até houve um senhor que me perguntou pelas minhas habilitações. É que, disse-me ele, já tinha visto que eu percebia muito de educação. Então não é que eles ponderavam requisitar-me para trabalhar na Direcção Regional! Assim, talvez vá ainda tirar um curso, agora que graças às Novas Oportunidades já tenho o 12º ano. Talvez psicologia, que o meu Fábio André já teve apoios de uma psicóloga e acho que aquilo era muito giro. talvez me acente bem. O que acham?
E ainda dizem que o Sócrates nada fez pelo país!

sábado, 26 de setembro de 2009

A medida que ficou por tomar

Apenas, na minha opinião, ficou uma medida por tomar pelo meu Sócrates. Foi esta questão do voto. Não tem nada que nos obrigar a ir a uma mesa de voto. É um gasto de tempo e dinheiro para o país mais moderno do mundo. Por isso, porque não o voto por mensagem de telemóvel? Até se podia fazer chamada com valor acrescentado para ajudar a combater o défice!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

São só emoções

Ontem perdi o amor ao dinheiro e deixei o meu Rochinha sozinho no snack-bar. Apanhei o comboio, que um dia será TGV, e fui que nem uma seta para o Porto. Ainda no comboio encontrei outras mulheres que, tal como eu, são do Sócrates. Fomos todas vestidas com tshirts que nos tinham dado, muito perfumadas, armadas de bandeirinhas e faixas para uma arruada. Ai que coisa gira é uma arruada! Todos a gritarmos as palavras de ordem, a dar vivas, a abraçar-nos. E depois o meu Sócrates lá no meio daquilo tudo, sempre muito bem posto, sempre a sorrir, sempre com as palavras certas na boca. Ai que fala tão bem o nosso Sócrates!
Já tinha ido a jogos de futebol em que também cantávamos e dizíamos palavras de ordem; também já tinha ido a concertos do Tony Carreira, em que cantávamos e até chorávamos. mas isto é muito melhor. E é melhor porque o nosso heróis está ali, perto de nós, e nós vamos juntos caminhando para a vitória! E então no Prto que podemos falar à vontade e dizer aqulas palavras todos que nos sobrem das entranhas à boca! E ainda falam em falta de liberdade e asfixia democrática! Eu quero lá saber de esquerda ou direita como o professor escreveu aqui antes. As eleições são lá isso! As eleições serão mais uma grande vitória do homem mais sexy de Portugal, isso sim!!! Os professores que se deprimam e ensinem outra coisa agente!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um voto de professor

1- Declaração de interesses/posição política
Desde que ultrapassei essa barreira dos 18 anos que fez de mim cidadão - há 26 anos, portanto - que fui eleitor de esquerda. Quase sempre exerci o meu voto (embora tantas vezes me tenha perguntado se o deveria fazer) e sempre fui um eleitor de "esquerda". Votei no PS, no PCP (e nas suas coligações), na UDP, no PSR e no BE. E também já votei em branco. Sou de esquerda por convicção. Tenho ideais de esquerda não só no que respeita ao papel social do Estado na defesa dos mais desprotegidos, como também na necessidade do Estado controlar sectores da economia e refrear o ímpeto ganancioso do capital. Também me sinto herdeiro de uma esquerda libertária que se funda no respeito pela liberdade e opções de cada um.

2- Nas últimas eleições
Nas últimas eleições votei no Partido Socialista. Estava convencido que esse partido poderia derrotar aquela incompetência atroz do governo Santana/Portas, assim como estava convencido que votava num partido de esquerda. É claro que me enganei duplamente: ao longo destes anos a suposta "competência" apenas existiu numa mascarada (ou, hipoteticamente, no trabalho para a estatística) estranhamente patrocinada por muitos órgãos de comunicação social e muitos pseudo "analistas" que apenas lucram com a situação. Esse neo-"situacionismo" é, aliás, um triste regresso conseguido pelo Partido do poder que deixou a corrupção impune e transformou em algo de natural a ascensão de boys e amiguinhos. Em segundo lugar a política PS foi claramente - no que à economia diz respeito - uma defensora dos interesses capitalistas. Foi uma política claramente de direita ao longo dos 4 anos. Apenas com as eleições à vista o senhor engenheiro se veio arvorar em esquerdista do pensamento, em defensor do casamento homossexuual (que há um ano atrás não era "agenda", casar só quando a agenda PS o permitisse) ou das uniões de facto. Tudo muito artificial e apenas ao cheiro dos votos (eventualmente como o meu) que dele tinham sido e agora se passavam para o bloco.

3- Como professor
É difícil sintetizar tudo o que sofreu a classe docente nestes anos. Talvez o pior tenha sido o desprezo e ódio da ministra (mais que a perda de direitos), numa primeira fase apaparicada pelos tais órgãos de comunicação social e experts situacionistas. Tentou (e conseguiu-o transitoriamente) humilhar-nos publicamente, que nos olhassem como bode expiatório e uma cambada de malandros. Também as estruturas intermédias, dominadas pelas comissões políticas dos PS, sempre prontas a dificultar-nos a vida (quem se lembra das frases e comportamentos da Directora Regional do Norte) exerceram o tentáculo do polvo num seguidismo cego aos ditames Milú/Sócrates. Não, não foram apenas erros de casting ou políticos fracos; foi a estrutura de um partido a aplaudir e a ultrapassar em brio a obra dos grandes dirigentes. Houve medo nas escolas, houve sim senhor. Passámos a ter cuidado com o que dizíamos na sala de professores. Com as opiniões que manifestávamos. Ainda hoje hesito em escrever estas linhas e publicá-las. Tenho medo de represálias.
Houve descrença no ensno, houve ditadura burocrática, aumentou a indisciplina na sala de aula.
Tudo isto foi muito forte para mim, como será muito forte - quase, se não mesmo, traumático - na esmagadora maioria da classe docente. É difícil perdoar ao PS, mesmo que agora Sócrates venha com as falinhas mansas.
Por isso o meu voto nestas eleições é essencialmente anti-Sócrates. Quero acabar com a mediocridade no poder, o favorecimento pessoal, a censura e auto-censura. Quero voltar a reconstruir a escola e quero voltar a ter o amor que tinha à minha profissão. Voto no distrito de Beja, onde apenas PS e CDU podem eleger deputados. Não tenho, pois, dúvidas em votar CDU. Se morasse em Faro ou em Lisboa poderia hesitar entre a CDU e o BE. Desde que o BE me garantisse nunca se aliar a Sócrates. Como se votasse em Viseu ou na Guarda ponderaria, pela primeira vez, votar PSD, sabendo de antemão que esse partido em nada corresponde à minha ideologia. É que em termos de educação não consigo imaginar pior do que fez este governo. Como escreveu António Barreto, podem-se levar décadas a corrigir os erros deste PS em termos de educação (fique Maria de Lurdes Rodrigues tranquila que vai ser recordada). Por isso é bom que começemos rapidamente a trabalhar na reconstrução educativa.
Entendam algum egoísmo do meu voto, mas é que sou professor, e adorava ser professor e dou um grande valor à educação. Por isso o meu voto tem que ser contra o PS.

domingo, 20 de setembro de 2009

Talvez devido cardápio almoçareiro do dia de hoje cá no snack-bar, escutei mais esta que constitui natural acrescento ao post d´outro dia:

"Chuva em Novembro,
Natal em Dezembro;
Sardinha em Junho,
Petinga em Setembro."