domingo, 13 de setembro de 2009

Um Calimero determinado e optimista.

Estou fartíssimo deste Sócrates. Não tenho mais paciência para este homem de plástico. Não percebo como se pode aturar tanta artificialidade, tanta teatralidade, tanta arrogância. Já nem falo do sistema imposto de favorecimento dos poderosos e da máfia que se instalou no país, nesta espécie de roubalheira mal disfaçada. Falo do homem em si. Pondero a hipótese, caso ele volte a ganhar as eleições, de pedir asilo político à Coreia do Norte.
Agora deu numa de Calimero, em que todos o atacam, transformam tudo em questõers pessoais, são todos de uma vilaneza e injustiça extremas para com o pobre desgraçado. Enfim, uma vitimização, uma calimerização de inspiração santanista. Apesar dessa faceta Calimero, vem depois a faceta determinada, heróica. Sócrates não se vê tanto como o Homem do leme, ao invés de Cavaco, mas como o general das suas tropas. Pelo menos anda para aí a dizer que um general disse que não se ganhava uma batalha se se fosse pessimista e, por comparação, diz também que um pessimista não cria emprego. Ele é optimista. E como é optimista cria emprego, como qualquer um viu na última legislatura.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Acrescento etnográfico

Amigo Zé Carlos,

Em relação ao teu interessantíssimo post anterior e ao último provérbio mencionado:

"Sardinha escorreita,
amizade desfeita."

devo acrescentar-te um outro que ainda acentua mais o carácter destas sardinhadas e que é:

"Sardinha vernácula,
amizade sem mácula."

Ao teu dispor

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Momento Etnográfico

Pois bem, para comemorar a saída da crise anunciada pelo nosso rimeiro-ministro, houve cá hoje, no snack-bar da Julinha, um almoço. Melhor dizendo, uma sardinhada à antiga portuguesa. É que era dia de fecho do snack-bar (“fecha às segundas-feiras como os museus”, está sempre a dizer o Patinha) e o Rochinha decidiu convidar os amigos – só homens, daí o à antiga portuguesa – para a assada de arromba. Ora eu, como interessado nas coisas da tradição do nosso povo português, dediquei-me a recolher aqui e ali os provérbios que fui ouvindo e que agora vos dou a conhecer, se bem que alguns usem aquele vernáculo característico da nossa gente (e pelo qual peço as minhas desculpas). Todos típicoss deste momento que é uma assada com sardinha, carapau, vinho, melão e melancia. Enfim, um dos divertimentos mais tradicionais do pessoal, se bem que do desagrado da Julinha que ainda ameaçou telefonar para a ASAE…
Mas comecemos, então. E pelos finais, que nos alertam para o conhecido problema da conjugação do tinto com a melancia.
Assim, escutei o tristemente profético:

“Vinho tinto e melancia
Acaba em peido e em azia”

Provérbio confirmado por um outro com a mesma mensagem (parece-me, pelo menos pela forma como a melancia foi repudiada por outro conviva, se bem que não queira aqui fazer juízos de valor sociais):

“Vinho tinto e melancia,
É pró padre e pró rufia”:


Mas não se pense que este problema é característico do tinto. Não, no caso da melancia parece que também o branco não é melhor:

“Vinho branco e melancia,
Prá casa de banho é correria”


Todavia escutei uma outra versão que parece ser a solução para os apreciadores de melancia e de vinho, se bem que este último ligeirtamente adulterado:

“Melancia e tinto de Verão,
Dão uma descansada digestão”


Que tem uma pequena modificação no seguinte (que confirma os conselhos médicos do ómega 3 – existente na sardinha – e no antioxidante do tinto :

“Sardinha e tinto de Verão
Fazem bem ao coração”



Mas o grande momento foi a discussão entre os que preferem carapau e os que preferem sardinha (que estavam em maior número e pareciam ser melhores conhecedores destas coisas dos ditos do povo):

"Homem que assa sardinha
E come carapau,
Adoece com a morrinha
E perde o pirilau”


Ou ainda o mais determinado:

“quem à sardinha prefere o carapau,
Ou é rufia, ou é mau”.


Se bem que os adeptos do carapau tenham uma resposta que não é mais do que uma variante do primeiro dito da sardinha e carapau (e que, sinceramente, parece ser reacção de perdedor com falta de imaginação):

“Homem que assa carapau
E come a sardinha,
Adormece com pirilau
E acorda com pilinha”!



Deixei para o fim, como não podia deixar de ser, o dito que mais me intrigou. É que ele é duma profundidade extrema ao alcance de poucos. E é dito que demonstra, afinal, a qualidade da sardinha, a superioridade moral destas assadas e a solidariedade que entre elas se estabelece. E são apenas 4 simples, mas belas, palavras que deixo à vossa reflexão:

“Sardinha escorreita,
Amizade desfeita”



Prometo voltar, se for do vosso agrado, com mais momentos etnográficos a este blogue. Para que o passado não se perca.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SMART FRANCIS POWER

Temo que toda esta conversa Freeport a um mês das eleições vitimize o nosso primeiro e ainda o faça ganhar. Infelizmente temos demasiados exemplos do poder local a confirmar a vitória dos corruptos (ou, devo dizer para ser politicamente correcto, dos candidatos sobre os quais recaiem processos ou suspeitas). Isto está há tanto tempo controlado por estes chicos espertos, por esta corrupção mal disfarçada, que eu volto a fazer a pergunta do meu amigo Patinha: viver nesta roubalheira é pior do que o poder cair na rua? Ou isto tem que cair na rua, porque de outro modo já lá não vai?
Será que ainda não batemos no fundo? Quando será que deixamos de ser governados por estes medíocres? Vamos continuar a votar neles?
E como por estes dias se fala em controlo sobre os media, aqui deixo uma música que não passa nas rádios nacionais. Vá-se lá saber porquê...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E eu também

Eu também vi e ouvi o Sócrates. Confesso que não liguei nenhuma quando ele falou na delicadeza, neste caso na falta dela, para com os professores. Por isso hoje achei estranho a importância dada ao caso na comunicação social. E como o meu amigo Patinha largou a deixa na mensagem anterior, pois lá terei eu de dizer qualquer coisa a esse propósito.
É óbvio que o ministério não teve para connosco, professores, qualquer delicadeza. pelo contrário, foi malcriado, insultuoso, tratou-nos abaixo de cão. Dirigiu uma campanha desde o primeiro momento em que classificava de incompetente toda a classe profissional. E nesse princípio de campanha (que foi o princípio de legislatura) quase todos os outros partidos estavam calados que nem ratos (apenas me recordo de ouvir uma palavra de apreço da parte de Jerónimo de Sousa, honra lhe seja feita). Era natural esse silêncio, pois então toda a sociedade portuguesa olhava para nós como uns chulos que eram a origem de todas as desgraças em que o país estava mergulhado. A comunicação social massacrava-nos (lembro-me de uma queixa que apresentei na ERC contra a Visão que falseou dados estatísticos para nos apresentar como preguiçosos). Foi a época da frase orgulhosa da Milú "Perdi os professores mas ganhei o país". Essa ideia foi, naturalmente, mudando ao longo dos 4 anos. Não porque o governo tivesse abrandado nesse esforço de denegrir a nossa imagem, mas porque nós trabalhamos directamente com todo o país, e ele compreendeu-nos melhor que a campanha governamental.
Mas não é a atitude de arranjar "bode expiatório" que me preocupa. Tudo isso valeria a pena se a Educação tivesse melhorado. E isso não aconteceu. Pelo contrário, a educação piorou, a vida nas escolas dificilmente se recomporá (infelizmente António Barreto tem razão ao afirmar que serão necessárias décadas para recuperar o ensino depois do mal que esta equipa ministerial fez). Podem apresentar as estatísticas que quiserem, que quem vê as escolas, seja como professor, seja como pai atento, bem sabe: não só se instalou o facilitismo como também se instalou a burocracia desmedida, a desconfiança, a questiúncula pessoal, a indisciplina. O sucesso em educação dificilmente pode ser medido em quantidade. O sucesso da educação de um país é educar cidadãos. E essa medida levará anos a ser verificada. É claro que a formação de cidadãos necessita que estes adquiram toda uma série de conhecimentos, e a verdade é que cada vez adquirem menos e se lhes passou a ideia de que nada é preciso saber. Mesmo que reprovem agora, terão adiante um "nova oportunidade" para lhes dar um qualquer certificado, é ideia do nosso primeiro que passar um certificado é fácil, ideia que colheu da sua própria experiência. Há uns anos atrás ouvi Mário Soares afirmar que a reforma da educação não se fazia com dinheiro, mas sim com inteligência. Mas para este timoneiro do Portugal Moderno a reforma da educação é feito com computadores, quadros interactivos e projectores multimédia. No último ano as escolas foram inudadas com este material numa quantidade imensamente superior às suas necessidades. São os gasto do novo-rico, do provinciano deslumbrado com a beleza do progresso. A qualidade das aprendizagens consegue-se, sobretudo, com empenho dos alunos e motivação dos professores. A alta tecnologia desempenha nessa qualidade apenas uma pequenina parte. Ora fazer como o governo fez, que foi dar às escolas a tecnologia, mas atacar professores e dar a entender aos alunos que estudar não era preciso, deu neste resultado que é toda a gente saber que a educação está pior do que alguma vez esteve, mas o objectivo estatístico ter sido atingido.

Eu também vi o Sócrates na TV

Cara amiga Julinha. Também eu vi o Sócrates na TV. E no seu snack-bar, que não estava assim tão barulhento. Não percebo porque é que foi para casa. Só para o ver sozinha? Ou apenas para não ouvir os nossos comentários?
Mas fique descansada que, tirando o cansaço, o seu Zezito esteve muito bem. O que mais gostei dele foi quando disse que a sua luta contra os juízes tinham sido para defender o interesse geral. Pois é, cara Julinha: consegui-o no pleno. Então ao fim destes quatro anos não temos uma justiça muito melhor, bem mais rápida (que os malandros já não têm três meses de férias), mais eficaz e que prende os verdadeiros marotos deste país! Quanto à questão dos professores e às melhorias da educação, deixo a análise para o prof. Évora. Mas as coisas também aqui melhoraram. Senão veja: a menina já vai ficar com o 12º, não tarda está na Universidade!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Hoje vi o Sócrates na TV

Peço desculpa ás minhas amiguinhas que já estavam com saudades minhas por só a esta hora escrever. É verdade que o prof. Évora decretou férias do blogue e bloqueou isto até ao dia de hoje. É que, como sabem, ele é professor e estes professores estão habituados a grandes férias (vejam como ele anda calado, ainda não escreveu nada). Por isso não pude escrever de manhã (continuava bloqueado) e só a meio da tarde ele disse que já tinha desbloqueado. Mas, a essa hora, eu não conseguia escrever. É que estava com um grande nervosinho porque hoje o nosso zezito ia aparecer na televisão, entrevistado pela Judite. Tive de me chatear com uns gajos que estavam no snack bar a falar alto só porque o Benfica ganhou ontem e não ouviam o nosso Sócrates. Foi de tal modo que tive de ir para casa para o ouvir sozinha e refastelada no sofá. Ah, como foi bom!
É que ando muito preocupada desde as últimas eleições! Á por ai quem diga que o nosso zezito pode perder as eleições! Ai que desgraça isso seria para o país, ele que fez tanto por todos nós. E depois como o iríamos ver como o vimos agora? Ele que é o homem mais sexy de Portugal (eu tenho votado sempre, já gastei uma porção de dinheiro em chamadas de telemóvel, espero que as minhas amigas também) poderia acabar por desaparecer das televisões. Se calhar ia para a Europa, ou para alguma empresa e depois davam menos notícias dele.
Mas adiante que o que interessa é a entrevista. Dizia eu que ando para aqui nervosa com as eleições e com o medo de o perder para sempre. Mas fiquei mais descansada com a entrevista, se bem que ele desse mostras de andar cansado, que às vezes até gaguejava (ai como eu te tratava do cansaço e da gaguez). É que ele tem razão: a escolha é entre duas pessoas e duas atitudes: ele, um macho bonitão, um pão, um homem moderno; e aquela Manuela do PSD que é velha, feia e com cara de poucos amigos, uma retrógada como ele disse. Ora se a maioria dos eleitores são mulheres, elas votam todas no Sócrates. E os homens também não se interessam por aquele género feminino, está bem de ver. Assim sendo, só o meu zezito tem hipóteses de ganhar eleições (se ele até contra o giraço do Santana ganhou). A única hipótese do PSD era ter aquele rapazote jeitoso, o Pedro Passos Coelho, como candidato a primeiro-ministro, mas então...
Na verdade, se virmos as coisas por este prisma, verificamos que as europeias não tinham grandes concorrentes. Ainda assim, o gordinho do PSD era bem mais fofinho (e pequenino, o que deixa sempre boas expectativas) que o velho do PS, como se viu pelo resultado.
No resto da entrevista o nosso Sócrates esteve muito bem: falou de tudo o que tinha feito, que era progressista, que era um homem moderno. O que eu gostei mais foi quando ele disse que não era teimoso, mas sim firme. Ai, que nem vos digo o que passou então pela cabeça! Esteve tão bem que até a Judite parecia encantada e se esquecia de lhe fazer perguntas, pois se ele dizia tudo que nem era preciso fazer perguntas. Viram como ela o olhava? Ái como deve ser paralisante estar ali tão pertinho dele!